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Setembro Dourado alerta para sinais do câncer infantojuvenil e importância do diagnóstico precoce

Campanha de conscientização reforça que identificar sintomas e buscar avaliação médica rapidamente pode aumentar as chances de cura

02 de setembro de 2026

Setembro é marcado pelo dourado, cor que simboliza a luta contra o câncer infantojuvenil e representa a importância de olhar com atenção para a saúde de crianças e adolescentes. O Setembro Dourado busca conscientizar famílias, profissionais de saúde e a sociedade sobre a doença e, principalmente, sobre a necessidade de reconhecer os sinais para que o diagnóstico seja feito o mais cedo possível.

Em 2026, o Ministério da Saúde definiu como tema norteador da campanha “O Câncer Infantojuvenil Tem Desafios, Mas Também Tem Cura: Fique Atento Aos Sinais”. A iniciativa reforça uma das principais mensagens da campanha: embora o câncer infantojuvenil apresente desafios, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem fazer uma diferença significativa na resposta à doença.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 7.560 novos casos de câncer infantojuvenil por ano no Brasil, considerando crianças e adolescentes de 0 a 19 anos, para cada ano do triênio 2026–2028. Desse total, são estimados 3.960 casos entre meninos e 3.600 entre meninas. O câncer já representa a primeira causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos no país, correspondendo a 8% dessas mortes. Ao mesmo tempo, os avanços no diagnóstico e no tratamento fizeram com que, atualmente, cerca de 80% das crianças e adolescentes com câncer possam ser curados quando a doença é diagnosticada precocemente e tratada em centros especializados.

Atenção aos sinais

Diferentemente do câncer em adultos, os tumores infantojuvenis geralmente não estão relacionados a hábitos de vida, como tabagismo, alimentação ou exposição solar. Segundo a médica Larissa Polis Moreira, coordenadora da Oncopediatria do Hospital Amaral Carvalho (HAC), muitos tumores nessa faixa etária estão relacionados a alterações que acontecem ao acaso, ou têm origem embrionária. “Na infância, os tumores têm um crescimento muito rápido, eles não estão associados a hábitos de vida, a maioria é de origem embrionária, ou mutações que sofreu ao acaso e predispôs ao surgimento de tumor”, explica.

Doutora Larissa Polis Moreira, coordenadora da Oncopediatria do Hospital Amaral Carvalho. - Foto: Hospital Amaral Carvalho.

A atenção aos sinais apresentados pela criança ou pelo adolescente é fundamental. Entre os sintomas que precisam ser investigados estão: palidez ou palidez repentina, perda de peso, dores nos ossos ou nas articulações que comprometem as atividades da criança, perda de apetite, queda do estado geral e dores abdominais persistentes ou progressivas. Também merecem atenção dores de cabeça que pioram com o tempo e chegam a acordar a criança durante a madrugada, ou aparecem pela manhã; manchas brancas nos olhos; caroços ou ínguas, especialmente quando endurecidos e maiores; manchas roxas que surgem sem relação com traumas; e febre prolongada, por mais de duas semanas, sem causa identificada.

A presença de um desses sinais não significa necessariamente que a criança tenha câncer. No entanto, quando os sintomas persistem, pioram ou não apresentam uma causa definida, é importante buscar avaliação médica. O INCA reforça que o diagnóstico precoce é realizado a partir da investigação de pessoas que apresentam sinais e sintomas sugestivos da doença. Para os cânceres infantojuvenis, não há recomendação de rastreamento populacional em crianças sem sintomas, por isso, reconhecer alterações suspeitas e procurar atendimento são medidas fundamentais.

Pais e profissionais têm papel fundamental

Por conviverem diariamente com a criança, pais e responsáveis podem perceber mudanças que, inicialmente, podem parecer comuns. A recomendação é observar a evolução dos sintomas e procurar atendimento quando houver algo persistente ou diferente do habitual. “Se é feito um tratamento, teve um diagnóstico e a criança não melhorou, é preciso levar novamente para rever o diagnóstico, rever o tratamento e, se persistir, é importante realmente insistir nas avaliações”, orienta a oncopediatra.

A médica também destaca o papel dos profissionais que atuam na atenção primária. Diante de uma criança ou adolescente com sinais que possam indicar câncer, a suspeita e o encaminhamento rápido para um serviço especializado são fundamentais. “O médico que examina a criança na atenção primária, ele tem muita importância, em pensar que aquela criança com aquele sinal ou sintoma pode ser câncer e fazer o encaminhamento precoce”. No Hospital Amaral Carvalho, crianças e adolescentes podem ser recebidos já diante da suspeita de câncer, permitindo que a investigação seja agilizada. “Quando chega na suspeita, a gente já consegue agilizar os exames e, confirmando o diagnóstico, iniciar o tratamento o quanto antes”.

Diagnóstico precoce pode mudar o tratamento

O tempo entre o surgimento dos primeiros sinais, a investigação e o início do tratamento pode influenciar o enfrentamento da doença. Segundo Larissa Polis Moreira, quando o câncer é identificado em uma fase mais avançada, o tratamento pode ser dificultado. “Quando o câncer é detectado em uma fase mais avançada, o tratamento é mais intenso. Então os efeitos colaterais, os riscos do tratamento são maiores. E há uma chance maior de ter falhas de resposta”.

Já quando o diagnóstico ocorre em uma fase inicial, a possibilidade de uma boa resposta ao tratamento é maior. O INCA também destaca que a detecção precoce possibilita melhores resultados no tratamento. Mais do que identificar a doença, o atendimento especializado também considera as necessidades da criança e de sua família durante todo o processo. No HAC, o tratamento é realizado de forma integral, com atuação de equipe multidisciplinar. “A gente faz o atendimento integral da criança, do adolescente, então, avaliando a criança, não só a doença”, explica Larissa. Segundo ela, além do tratamento da doença, são considerados aspectos sociais, familiares e a rede de suporte da criança, acompanhados de perto durante todas as fases do tratamento.

Referência para o SUS

O Hospital Amaral Carvalho é referência em oncologia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o Estado de São Paulo e possui atuação especializada no atendimento de crianças e adolescentes com câncer. Entre 2000 e 2022, foram cadastrados no HAC 2.637 casos de câncer em pacientes de até 19 anos. Entre 2018 e 2022, os casos de câncer infantojuvenil representaram 1,56% de todos os casos de câncer atendidos pela Instituição. Em 2025, o Ambulatório de Oncopediatria do hospital registrou 415 atendimentos em 125 pacientes. Além da assistência, o HAC também atua na capacitação de profissionais da rede básica, contribuindo para que sinais suspeitos sejam reconhecidos e os encaminhamentos ocorram de maneira mais rápida.

Área de convivência da pediatria do Hospital Amaral Carvalho. - Foto: Hospital Amaral Carvalho

Informação também é uma forma de cuidado

Para Larissa Polis Moreira, uma das mensagens que precisam ser reforçadas durante o Setembro Dourado é que o câncer infantojuvenil pode ser tratado e curado, especialmente quando identificado precocemente. “Temos que entender primeiro que ele tem cura. E quanto mais precoce, maiores são as taxas de cura”. Para a médica, também é necessário desmistificar a doença, já que o medo pode contribuir para atrasar a busca por atendimento.  

A campanha, portanto, não pretende estimular o medo, mas a atenção. Observar mudanças, procurar avaliação diante de sintomas persistentes e garantir que crianças e adolescentes com suspeita sejam encaminhados rapidamente são atitudes que podem contribuir para um diagnóstico mais precoce e para melhores resultados no tratamento. “O Setembro Dourado é um mês de conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce no câncer infantojuvenil. E por que dourado? Porque as nossas crianças valem ouro, então merecem toda atenção e todo cuidado”, finaliza a médica.

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